Plantar

Cânions

Masterplan da PLANTAR qualifica a visitação com arquitetura leve, reversível e integrada à paisagem natural.

O projeto de masterplan e arquitetura desenvolvido pela Plantar para os Parque Nacional de Aparados da Serra e Parque Nacional da Serra Geral parte de um princípio central: qualificar a experiência do visitante sem deslocar o protagonismo da paisagem. Inseridos em um dos ecossistemas mais sensíveis e emblemáticos do país, os parques exigem uma abordagem de ocupação delicada, reversível e profundamente ancorada na leitura do território.
O trabalho foi desenvolvido no contexto da nova concessão de uso público, em articulação com o ICMBio e a concessionária Urbia Cânions Verdes, com o objetivo de estruturar intervenções arquitetônicas e operacionais capazes de ampliar a qualidade dos serviços, organizar fluxos, aumentar o tempo de permanência e sustentar a gestão da visitação de forma ambientalmente responsável .

O masterplan reconhece os parques como um sistema territorial contínuo, articulando núcleos de visitação, acessos, trilhas, mirantes e áreas de apoio em uma narrativa espacial coerente. A ocupação não se dá por objetos isolados, mas por sequências de experiência: chegar, acolher, orientar, caminhar, observar, permanecer e retornar. Cada intervenção é posicionada a partir de critérios operacionais e ambientais, evitando sobreposição de impactos e respeitando caminhos existentes, topografia, vegetação e vistas consolidadas.

As propostas incluem a requalificação e ampliação de acessos, novos pórticos, bilheterias e estacionamentos organizados; a implantação e reforma de Centros de Atendimento ao Visitante (CAVs), Pontos de Informação ao Visitante (PICs) e módulos de apoio com sanitários, alimentação, conveniência, aluguel de bicicletas e áreas operacionais; além de decks, mirantes, passarelas suspensas e percursos elevados, projetados para ampliar a fruição da paisagem com mínima interferência no solo. Estruturas para atividades de aventura, como rapel, arvorismo e travessias suspensas, são integradas de forma pontual, sempre subordinadas à lógica do lugar.

A linguagem arquitetônica adota materiais locais e sistemas construtivos de baixo impacto, como madeira, pedra grés e estruturas metálicas leves, com soluções visualmente permeáveis que emolduram a paisagem em vez de competir com ela. Coberturas verdes, uso de energia solar, ventilação e iluminação naturais, sistemas de reuso de água e saneamento de baixo impacto reforçam o compromisso ambiental do projeto e reduzem a pegada operacional ao longo do tempo.
A narrativa de ocupação proposta entende a arquitetura da paisagem como mediadora entre conservação, uso público e educação ambiental. As intervenções buscam inspirar novos comportamentos, oferecendo conforto, orientação e serviços sem descaracterizar a experiência de contato direto com a natureza. Ao organizar a visitação, qualificar a infraestrutura e ampliar as possibilidades de permanência, o projeto fortalece a viabilidade da concessão e consolida os parques como referências de ecoturismo, preservação e experiência sensível do território.

O resultado é um conjunto de intervenções que não impõe forma ao ecossistema, mas se adapta a ele, revelando a paisagem como principal arquitetura e construindo, com precisão e cuidado, um novo patamar de experiência para os visitantes dos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral.

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